4 de julho de 2014

"Como treinar o seu dragão 2"

As versões dos contos de fadas originais dos irmãos Grimm são tão macabras porque na época não existia uma concepção de criança. Entretanto, com o tempo, essa concepção se aprimorou e foi pré-estabelecido que animações seriam o gênero apropriado para tal idade, pois eram mais simples e 'alegres'. Hoje, pode-se afirmar com veemência: animações não são mais limitadas às crianças.
Para justificar essa afirmação, diversos filmes poderiam ser citados, mas hoje me limitarei a um: Como treinar o seu dragão 2 (How to train your dragon 2, Dean DeBlois). Após o primeiro filme em que Soluço consegue mudar a opinião do vilarejo de Berg em relação a como tratar os dragões, cinco anos se passaram e agora Soluço começa a sofrer a pressão do pai para ser seu sucessor. Dentre aventuras e perigos, Soluço cria e desenvolve sua opinião sobre sua personalidade e perspectivas de vida.
O filme tem seu teor fantasioso, aventureiro e emocionante para entreter qualquer criança. Contudo, é hipocrisia dizer que é isso que tem para extrair. Soluço cria discursos complexos e é dono de uma opinião insanamente madura, não só pela idade, mas por uma sociedade. Ele, desde o começo, acredita na coexistência entre pessoas e dragões. Uma co-existência mutualista, onde os dois seres criem laços e convivam ajudando um ao outro. Homens não seriam donos dos dragões e dragões não seriam respeitados pela sua imponência. A questão é que homens não utilizariam os dragões por necessidade, como transporte e/ou estimação assim como os dragões não precisariam se defender violentamente.
Substitua dragões por colonizados, escravizados pela sua matéria-prima, e homens por colonizadores, hipócritas que pensam ser superiores às outras civilizações. Perceba a mensagem do filme. Soluço conversa com o vilão do filme, Drago, sobre superioridade e o explica que, para ter poder, não é necessário ser temido, que essa não é a única forma para conseguir ser respeitado. Não é preciso domar quando se pode ter lealdade.
Isso não é uma resenha do filme e muito menos um ensaio sobre colonização ou neocolonianismo.É, talvez, um nota para a genialidade dos filmes de hoje de transpor de maneira quase subjetiva o problema de toda uma história da humanidade. Talvez, quero acreditar, seja uma maneira de educar as crianças para não cometerem os mesmos erros do seus pais e entenderem que o diálogo abre mais portas que a força bruta. É parar de subestimá-las. 

Para finalizar esse post, vou deixar as fotos que tirei do enorme e lindíssimo Banguela que estava no Cinemark do shopping Eldorado. 


That's all xx

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