12 de junho de 2014

"Fahrenheit 451"


"Você é feliz?"
Essa foi a pergunta que, em minha opinião, desencadeou toda a história do livro. Guy Montag é um bombeiro em um mundo onde as casas são à prova de fogo e os bombeiros são chamados quando há a suspeita de pessoas escondendo livros em suas residências. Um dia, Montag se depara com Clarisse McClellan, sua nova vizinha de 17 anos (e doida, segundo ela mesma) e, ao contrário de todo mundo que Montag já conhecera, ela o questiona sobre seu trabalho e, sem esperar resposta, faz a pergunta em destaque.
Montag, a partir disso, começa a refletir e se perguntar por que ela era diferente e, principalmente, a se perguntar sobre a importância de ser um bombeiro. Um dia ordinário no trabalho em que ele incendeia uma casa com uma senhora junto por não querer se separar dos seus livros acarreta em um choque de realidade, pois ele percebe, pela primeira vez, que existia um homem por traz de cada livro e, segundo suas próprias palavras:
"-Às vezes pode levar uma vida inteira para um homem colocar seus pensamentos no papel, depois de observar o mundo e a vida, e aí eu chego e, em dois minutos, bum! Está tudo terminando." (Globo de Bolso, 2003, p. 80)
Montag se sente desmotivado a trabalhar, então seu chefe, Beatty, vai até sua casa e é nessa hora que há um diálogo fenomenal sobre a perda da importância do livro na sociedade e o porquê o papel do bombeiro é importante. Segundo Beatty, livros deixam as pessoas tristes por mostrarem uma realidade, uma ‘besteira sentimental’ fictícia que atormenta a paz do ser humano. Não vou detalhar o diálogo porque foi, para mim, a melhor característica do livro. Deixarei uma parte do diálogo que está na contra capa do livro.
"-A escolaridade é abreviada, a disciplina relaxada, as filosofias, as histórias e as línguas são abolidas, gramática e ortografia pouco a pouco negligenciadas e, por fim, quase totalmente ignoradas. A vida é imediata, o emprego é que conta, o prazer está por toda parte depois do trabalho. Por que aprender alguma coisa além de apertar botões, acionar interruptores, ajustar parafusos e porcas?" (idem, p. 85)

Montag acaba roubando livros e procurando pelo professor Faber, pois está destinado a mudar seu rumo. Não gosto de contar spoiler, então vou parar por aqui.   
Ao terminar minha leitura, começo a me questionar se o livro é mesmo uma distopia por ser tão atual. Para quem acompanhou as notícias de uma professora que estava reescrevendo as obras de Machado de Assis para ser de melhor compreensão, o espaço de e-books ou, ouso dizer, a enorme iniciativa de estúdios de cinema adaptando vários obras, sabe que o livro está perdendo espaço na nossa sociedade e, talvez, chegará um momento que não será necessário uma lei proibindo os livros físicos, mas será algo que acontecerá na mente de cada um de nós.
São tantas semelhanças com o nosso mundo que me assombram.

Mesmo com a polêmica entre literatura e cinema, menciono o filme do François Truffaut de 1966 que representa muito bem o que o livro transpassa. Os diálogos foram condensados e levemente alterados, mas todas as discussões do livro, inclusive o diálogo que tanto fiz propaganda, estão lá. As alterações pequenas existem, como a idade de Clarisse, o nome da esposa de Montag (de Mildred para Linda); assim como as grandes, como a importância e final de Clarisse e exclusão do professor Faber. A pergunta em destaque funciona muito bem no livro, com Clarisse desaparecendo para dentro da sua casa, mas no filme parece pouco espontâneo.
Fahrenheit 451 é livro sensacional, de leitura rápida e com diálogos de aplaudir em pé. Ao ler, assustei-me com as semelhanças com a nossa sociedade e pergunto-me o quão longe estamos desse destino. Enquanto isso não acontece, fica a dica para essa leitura magnífica.

Foto do meu instagram


That’s all xx

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