30 de janeiro de 2014

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain


O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
(Le Fabuleux Destin D’Amélie Poulain, 2001)
 
Amélie Poulain entra na enorme lista de filmes que todo mundo assistiu e ama, menos você. Não consigo me justificar porque demorei todo esse tempo, mas finalmente assisti. E também não consigo explicar a gratificação em entender o porquê todo mundo gosta deste filme, geralmente me decepciono por criar muita expectativa, mas não foi o que aconteceu com esse. Todas as minhas expectativas foram supridas.
            A questão é que não é difícil gostar de Amélie. Ela é peculiar. Ela é uma personagem com manias tão simples quanto as nossas, mania como colocar a mão em um saco de grãos e rituais para comer. Amélie é, principalmente, uma sonhadora. Uma pessoa que acredita, sobretudo, em contos de fadas e faz de tudo para transformar este mundo preto-e-branco em algo mais agradável de se viver.
            Não se trata de um filme revolucionário, ou seja, Amélie não tenta mudar o mundo radicalmente, é sutil. E também não é o mundo inteiro e sim o que existe ao seu redor, como seu esforço para unir as duas pessoas da lanchonete: o freguês assíduo e a vendedora de tabaco. Ao conseguir seu objetivo, Amélie sorri e todos nós conhecemos aquele sorriso: o sorriso de vitória, de satisfação. O melhor deste sorriso é sua inocência. Amélie não precisa de reconhecimento, não conta as mirabolantes histórias que inventou, ela simplesmente fica satisfeita consigo mesma.
            Amélie acredita em uma história de amor e não fica parada esperando o príncipe encantado. Ela fez seu conto de fadas, tornando um cara com uma mania super curiosa em um cara interessante e charmoso. Digo curiosa porque não acho normal varrer embaixo da cabine de fotos a procura de papéis rasgados. Formulando melhor, ela consegue ver beleza em alguém peculiar. Quer algo mais bonito que isso? Seu “príncipe” era uma pessoa tão ordinária quanto ela.
            Todo o trajeto que ela fez para conquistar Nino é tão singelo e, ao mesmo tempo, impactante. Ela realmente o conquista e ele se apaixona sem antes ver o rosto de Amélie. Seus jogos são inofensivos e ela os faz para conseguir coragem e tempo para se apresentar propriamente. Confesso que é uma delícia ver Nino curioso e, sobretudo, se divertindo com a criatividade de Amélie.

            E vou agora para o quesito mais extraordinário do filme: a narração. Que narrativa extraordinária é essa. Toda a narrativa inicial sobre os pais e a infância da Amélie é tão peculiar e é aí que começamos a ver o quão sensacional é o filme que nos espera. O narrador não diz coisas básicas dos pais e sim peculiaridades de cada um, manias de limpeza e organizações. Hobbies ou obsessões. Chame do que quiser. A narração retrata o que nos torna únicos e, por incrível que pareça, normais.
A identificação e simpatia pela Amélie são quase instantâneas, mas mesmo assim tem uma jogada de câmera onde ela olha diretamente pro espectador e sorri. Simplesmente sorri. Nós viramos cúmplices de suas aventuras, de suas travessuras no apartamento do dono da quitanda. Talvez seja por isso que Amélie não é julgada, porque nós somos tão culpados quanto ela. Culpados de tentar melhorar o ambiente ao nosso redor.
            As repetições foram propositais. Este filme é, por inteiro, peculiar. O destino de Amélie Poulain é fabuloso porque ela decidiu que seria, ela lutou para que fosse. Esta é, acredito eu, a mensagem do filme. Faça seu destino, faça-o ser fabuloso.

That's all xx

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