29 de janeiro de 2013

Versões de Anna Karenina


Peguei um dia para assistir a mais recente versão de Anna Karenina e a de 1948 com Vivien Leigh e, embora se tratem da adaptação do mesmo livro, é impossível dizer que são iguais. Assisti primeiro ao de 2012 e é desumano tentar não gostar do elenco. Keira Knightley, Aaron Johnson, Jude Law, Matthew MacFadyen, Mary e Willian de Downton Abbey, Carlinhos Weasley (because once a Harry Potter cast, always a Harry Potter cast) oh gosh ♥♥♥♥♥



Além disso, é dirigido por um dos meus diretores favoritos, Joe Wright, responsável por Orgulho e Preconceito, Desejo e Reparação, Hanna. Mais amor ainda. Portanto, tenho todos os motivos para amar esse filme, e amei mesmo. Toda a estrutura teatral é uma belíssima novidade para mim e super aprovei. A fotografia não poderia ser melhor, além do figurino espetacular; tanto é que está concorrendo ao Oscar nessas categorias, além de Design de Produção, seja lá o que seja, e trilha sonora, que também está sensacional.
Entretanto, tenho que dizer que odiei a história. Odiei Anna. Odiei. Mas vamos por partes.
Anna vai a Moscou a pedidos do seu irmão para tentar consertar seu casamento, já que sua esposa descobriu que ele estava traindo-a com a empregada. Durante sua estadia, Anna vai a um baile e conhece Vronsky que, até então, era um forte pretendente da Princesa Kitty, mas Anna e Vronsky trocam olhares, dançam juntos, rola o clima, puf!, se apaixonam.
Na versão de 2012, o irmão de Anna é Matthew McFayden e é.tão.errado. Keira e ele serem irmãos. Tão.Errado! Eles são Lizzie e Mr. Darcy![!!!!!!!!!!!!!!] 

Outra reclamação é o cabelo de Vronsky aka Aaron, ele definitivamente não combina loiro. Continuando, a história inteira é o amor proibido deles, já que Anna é casada com Alexei. Agora vamos ao conflito:
Nesta versão, o marido de Anna, como ela mesmo chama, é um santo. Em nenhum momento ele se exalta, pelo contrário, na hora que ela confessa ser amante de Vronsky, ele respira fundo e diz seus termos para evitar um escândalo. Quem faz isso? Ele a deixa livre para viver com Vronsky e a única coisa de ‘mal’ que fez foi proibí-la de visitar o filho, mas não reclamou quando ela foi sem sua permissão. Ao contrário da versão de 48, onde ele a confronta dizendo que ela não tinha direito de ter ido lá. Além disso, ele diz ao filho que sua mãe esta morta e recusa-se a dar o divórcio. Tal problema é motivo de vários dramas durante este filme.
Alexei

A personalidade de Anna é diferente também: no começo, a Anna de Vivien Leigh era igual Scarlet O’hara, arrogante, mimada e egoísta, mas depois ela se torna mais humana, mais sentimentalista. Ocorre o oposto na de Keira; ao final ela enlouquece e sua personagem fica como a de A Dangerous Method, cheia de ataques e dramas. Tanto é que na cena do aniversário do filho, no filme de 48 ela vai vê-lo escondido através da empregada, enquanto na de 2012, ela entra batendo todas as portas sem se importa em ser vista. Acho que um pouco de cada personagem fica na atriz, after all.



Com essa combinação de Alexei corno manso mais Anna dramática e impertinente, ficava dificil de torcer pelo casal mesmo Keira e Aaron formando um casal lindo (mas também gostei de ver Vivien Leigh com Kieron Moore). Parecia simplesmente injusto tudo que estava acontecendo com Alexei, toda vez que Anna decidia ser honesta com ele, contava de uma forma que machucava mais que os fatos em si, sem aliviar ou amenizar sua dor, como na hora que se recusou a fazer sexo com ele pois estava grávida de Vronsky, minha cachorra conseguiria dar essa notícia melhor.
Vronsky
A cena dela “morrendo” é outro exemplo dessa diferença de Annas, a de Keira faz Alexei olhar para Vronsky, pegar na mão dele, totalmente desnecessário e humilhante. Ela o manipula e Alexei a aceita de novo, mas depois ela joga na cara dele que tudo que disse foi porque estava doente e o abandona novamente. A Anna de Vivien implora seu perdão, alegando que não ama mais Vronsky. Aliás, ela estava doente, mas não por estar grávida, não sei onde foi parar essa gravidez no filme de 48, embora eu nem saiba se realmente exista no livro.
Alexei
A respeito do livro, estou fazendo comparações com os dois filmes pois me deixou curiosa o fato das personalidades serem tão distintas, mas não li nem pretendo, ou seja, não sei qual das duas interpretações é a verdadeira, se é que algumas delas seja. A verdade é que o filme de 1948 é mais completo, já que o de 2012 é teatral e ficou claro que prezou isso acima da história em si. O de 48 é mais simples em relação a produção, deixando os personagens mais complexos e completos, o fato do filme ser preto e branco não tirou a magnitude e beleza do filme e nem da Vivien.
Vronsky
Adorei o final do filme de 48 que termina com a frase: não leia quem não quer maiores spoilers
“And the light by which she had been reading the book of life, blozed up suddenly, illuminating those pages that had been dark, then flickered, grew dim, and went out forever.”
É óbvio que não esperava que os filmes fossem idênticos, mas, como disse aí em cima, achei curioso as diferenças que encontrei, me deixando em cima do muro em relação qual gostei mais: Anna Karenina de Joe Wright é magnífico em toda sua produção, mas consegui me simpatizar mais com as personagens de Alexander Korda.

That’s all xx

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