12 de janeiro de 2013

Paródias de Jane Austen


“It is a truth universally acknowledged, that a single man in possession of a good fortune, must be in want of a wife.”

Esta frase inicial de Orgulho e Preconceito é tão famosa que qualquer cópia do livro tem, por obrigação, começar com ela. A tradução que tenho em casa (Jean Melville) não é tão boa, mas ficou assim:
“É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro na posse de uma bela fortuna deve estar necessitando de uma esposa.”
Assim que vi a versão Cinquenta Tons de Sr. Darcy, fiquei morrendo de vontade pra ler. Não li e nem tenho vontade de ler Cinquenta Tons de Cinza porque, bem, se eu quisesse ler pornografia, há tantas fan fics por aí; entretanto, a ideia de um naughty Mr. Darcy me deixou curiosa. Fui com toda a vergonha do mundo comprar e li rapidamente. Sinto informar que foi meu primeiro livro de 2013 e minha primeira resenha aqui no blog porque Jesus Christ!


O livro é exatamente o que parece, uma paródia de Orgulho e Preconceito com Cinquenta Tons de Cinza, tanto é que a famosa frase ficou assim:
“É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro de posse de um belo chicote de equitação deseja um belo par de nádegas desnudas para espancar.”
É... É...
O começo, confesso, é fiel a proposta. A Sra Bennett reclama que suas filhas ainda são virgens, ao invés de solteiras e a chegada do Sr. Bingley (que na versão é Bingulin, acredito que dá pra entender a sacada) é a oportunidade para desvirginá-las. Acontece o baile e a ida a cavalo de Jane para Netherfield; como sabemos da versão original, Jane adoece e Lizzie vai até lá fazê-la companhia. Em Cinquenta Tons de Sr. Darcy, o adoecimento de Jane faz com que Lizzie a substitua na entrevista com Sr. Darcy. Pelo pouco que sei, este é o começo de Cinquenta Tons de Cinza.
O problema não é a paródia. Sério. O fato é que a autora não conseguiu juntar os dois livros perfeitamente (na minha opinião, ela o teria conseguido se tivesse ficado um pouco mais tempo pensando na produção do livro, aliás, digo ela porque o livro foi assinado por Emma Thomas, mas na mini biografia da contracapa diz que é um pseudônimo). Ela utiliza as sátiras e tenta suavizar o problema, que são expressos no livro out of the blue, tipo, o diálogo acontece até que “-mas essa parte não faz sentido, -tudo bem, vamos prosseguir para o leitor não perceber”. Não. Acontece. Uma. Só. Vez.
Fora isso, o livro se passa no século XIX, mas a autora quis fazer um trocadilho com o Sr. Collins, que chama Willian, mudando para Phil Collins (a.k.a Tarzan’s soundtrack) e não é só o nome do cantor que ela usa, a personagem é o cantor! Ou seja, ela descreve que ele fez show em 1970 e tralala. MAS PERAÍ, NÃO ERA 1890?!?! [anos não precisos, não lembro e não quero pegar o livro de novo]
Tem tantas coisas que me remoeram no livro ao ler, mas aí alguns podem pensar que sou uma fã irremediável e extremista de Jane Austen, o que não é verdade. Logo após ler Cinquenta Tons de Sr. Darcy, li Orgulho e Preconceito e Zumbis, de Seth Grahame Smith, e gostei bastante.



Comprei o livro por R$5 na bienal do livro ano passado e a ideia me interessou muitíssimo, já que, como dá pra perceber no histórico do blog, sou fã de apocalipse zumbis e afins. Mas não é só por isso que gostei dessa versão, primeiramente, porque não é completamente alterada; infelizmente, não tô lendo a versão original pra comparar, mas aparentemente há partes que o autor não modificou, tanto é que ele dividiu os créditos da autoria com Jane Austen. Entretanto, a frase inicial foi modificada:
“É uma verdade universalmente aceita que um zumbi, uma vez de posse de um cérebro, necessita de mais cérebros.”


A história é quase idêntica no começo, só muda o fato que há zumbis no quintal, que cavalos morrem na estrada porque são atacados e que Lizzie porta uma adaga nas coxas. O final modifica quase tudo e tive um pequeno amor/ódio com as mudanças. Tem acontecimentos que achei melhor do que o original, como o final do Wickham e outros que não gostei nem um pouco. Sem dar spoilers, o é uma divertida paródia que tem uma escrita muito semelhante a da própria Jane.
Uma das coisas que mais gostei no livro foi as ilustrações, que eram muito comuns em livros antigamente. Ficaram hilários!


Não gostei do espaçamento e do tamanho da letra do livro, são muito juntinhas, deixando cansativo a leitura, mas isso, claro, não é culpa do autor e/ou do livro.
Jane é uma excelente autora e as paródias, felizmente ou infelizmente, não pararão por aí. Mas aconselho fortemente a vocês lerem os originais primeiro, claro.
Bônus:
Aproveitando que coloquei a foto do bottom, vou colocar (quase) resto que comprei no Museu da Jane Austen em Bath, vieram quatro, mas o outro tá na minha bolsa e é um I Jane.


O segundo bônus é meu volume único contendo as seis obras da Jane mais o conto Lady Susan em inglês que ganhei há uns 3 anos da Perê.



Pretendo fazer mais resenhas este ano com bastante fotos igual este post, me esperem (ou não).
That’s all xx

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