20 de janeiro de 2013

“Charlotte Street”, Danny Wallace


A difícil tarefa de escrever uma resenha. Não sou fã de ler sinopse porque sempre acho que contém informações que gostaria de descobrir sozinha, isso quando não conta o final indiretamente. É, escreverei algo que nem eu mesma gosto de ler.
Paradoxos à parte, escreverei sobre Charlotte Street a fim de fazer com que mais pessoas comprem/emprestem/roubem para ler. O livro não é só uma história de amor, vai muito além, mas enfim, vou por partes.
Jason Priestley acabou de perder a namorada e se encontra, resumidamente, na fossa. Quase sem dinheiro, vive com seu amigo Dev que é dono de uma loja de vídeo-game. Falarei mais sobre Dev, que é, de longe, meu personagem favorito. Voltando ao plot, Jason estava na Charlotte Street e esbarra com uma mulher cheia de coisas na mão, toda atrapalhada que sai em um taxi, eles trocam aquele olhar mas, segundo o próprio Jason, são muito britânicos para fazerem mais alguma coisa. No meio dessa confusão toda, ela derruba uma câmera descartável.

Uma câmera descartável. Isso significa pra Jason um mistério, mas, sobretudo, uma esperança. Primeiro, vem o dilema se quer ou não revelar; depois, o que fazer com as fotos.


O livro inteiro é sobre persistir em uma incerteza, lidar com amizades e, sobretudo, largar o passado e olhar para o futuro. Jason está em pedaços e procura maneiras para se reconstruir, como todos nós. Além disse, o livro se passa em Londres e detalhe ruas, lugares, metrôs, um presente para quem quer se imaginar lá. Fiquei louquinha de vontade de passar pelas ruas londrinas. Vou tentar ao máximo achar essa rua e tirar foto nela (postarei aqui se conseguir).
Em relação às personagens, Jason é como todo mundo que saiu de um relacionamento, passa por todos os estágios da perda e erra tanto quanto nós, resumindo: ele é um personagem real; Dev, também é bem verídico, ele é um nerd. Sua loja de jogos não vende quase nada, já que só tem coisas ‘velhas’, mas seu prazer está em conversar com as poucas pessoas que aparecem por lá sobre jogos antigos. Além disso, ele faz trocadilhos do tipo “você precisa passar dessa fase” e acredita, como eu, que vídeo-game é seu treinamento pro apocalipse que está por vir. Ele representa toda a nação nerd e, como todo nerd, é um excelente amigo e consegue levar a vida a sério, só prefere encará-la de outra maneira.


Não fiquei totalmente satisfeita com a tradução, tinha frases que foram muito literais e, na minha humilde opinião, ficariam melhor se adaptassem um pouco, por exemplo, na página 319 tem: -[...] Você tem coragem, e te dou isso.
Aparentemente, a frase original era “I give you that” ou algo do tipo, que no português seria algo do tipo “admito isso” e não do jeito que foi traduzida. Enfim, isso é problema de tradução e não deve ser motivo para avaliar um livro.
Entretanto, é só disso que posso reclamar. A Nova Conceito tem um histórico belíssimo de ótimas formatações, diagramações e detalhes técnicos; A capa é linda, não preciso nem falar, com exceção desse código horrível na capa.
O livro foi uma surpresa para mim, que esperava um chick-lit leve e descontraído. Com ele, estou pronta para ir a Londres e encontrar um amor. só que não.

Bônus:
Adorei muitas frases do livro e dá vontade de citar todas, mas vou colocar aqui a mais forte e sensata que achei durante a história. É, o que costumo dizer, um tapa na cara em todo mundo:
"- Engraçado, coisas do tipo Facebook ou Twitter. Ver toda a vida de outra pessoa. É quase como se você não precisasse mais ver as pessoas. Você apenas alimenta a conta-gotas seus momentos. Você perde todas as coisas que estão no meio. É amizade 'eficiente'.

That’s all xx

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