18 de setembro de 2012

Desenhos não são para crianças.

Entre essas conversas de corredor que nascem do nada e são interrompidas facilmente, hoje nasceu o assunto com a Gleice "desenhos não são mais pra crianças". E não são mesmo! Como o assunto não foi prolongado, aqui vai meus exemplos e reflexões a respeito:

Túmulo dos Vagalumes (1988)
Eu já escrevi sobre esse desenho no posto Filmes que me fizeram chorar #1, mas este é, na minha opinião, o maior exemplo que eu poderia colocar aqui sobre o assunto. Veja que o filme é de 1988 e acredito que muitas pessoas que não tem o mínimo de conhecimento da cultura japonesa não conhece esse desenho, isso porque a Wall Disney fez parceria com o Studio Ghibli, mas de tanto filme (como os próximos dois que citarei) pra escolher pra re-lançar, escolheu Ponyo. Aliás, antes que a Thami diga que eu to negando minhas raízes oceânicas, adoro Ponyo. 

Isso é um peixe, believe it or not.

Voltando ao filme, logo no começo mostra o cenário da guerra, o bombardeio acabando com a cidade e a mãe dos dois protagonistas morta[!!!]. Sério, onde isso é desenho de criança? Fora que o irmão mais velho, cujo não lembro o nome porque só me recordo da Setsuko falando "nitchan", é espancado por roubar comida e mostra ele todo ferrado na delegacia. 

A mãe morta. Sutil, não?

Vou pular pro próximo filme porque né, nem preciso comentar sobre o final. Quem ainda não assistiu Jefferson deve fazer isso asap!

Princesa Mononoke (1997)
É uma pena eu não me lembrar tão bem desse filme, isso é sinal de 'preciso ver novamente'. Lembro que assisti com minha mãe e ela não gostou, mas não fico brava porque minha mãe pra filme é a mesma coisa que eu pra Woody Allen. Lembro também que usei como argumento em uma redação na época de cursinho sobre a conscientização florestal, mas é só. 
Ok, não é só... A ideia da floresta 'batalhar' por sua sobrevivência contra a fábrica de sei lá o que permanece na minha memória porque achei simplesmente fantástico. Há o surrealismo Miyazakiano de sempre, como aquele ser enorme que aparece salvando/detonando tudo.


Fora que, embora tenha assistido o filme recentemente (ou seja, já velha), morri de medo desses bichinhos abaixo. Pra mim são creepies e faziam sons horripilantes. 


Aparte da história à la Mogli da menina criada por lobos, o filme é sensacional.

Mimi Wo Sumaseba (1995)
Esse filme não é considerado por mim "não-infantil" por ter mortes ou assuntos que crianças não entenderiam, mas porque crianças não sentiriam a luz iluminadora que essa animação traz. É um dos filmes desconhecidos do Studios Ghibli; aliás, todos, com exceção de A Viagem de Chihiro e O Castelo Animado,  são, mas bem, esse é mais difícil de achar. A história é simples, não tem nada tão mirabolante como aquelas criaturas de Princesa Mononoke ou o gato ônibus de Tonari no Totoro (poderia encher o post só de coisas surreais dos desenhos japoneses), é sobre uma adolescente que procura descobrir sua vocação e junto com  um menino que ela conhece os dois começam a refletir sobre o que é  importante. Infelizmente não lembro direito do filme que raiva de mim, mas lembro que em alguma parte do filme, o menino precisa fazer uma escolha entre ela e sua carreira e, mesmo o filme indicando que eles vão ficar juntos (ele escolhe a carreira, ele é músico e/ou fazia instrumentos). Não vou procurar ou tentar lembrar exatamente, mas o discurso dele nessa hora é lindo. 
Já que eu não lembro do filme, só posso acrescentar que não esperava um filme tão maduro vindo de um cartaz como esse abaixo, mas bem, eu não deveria ter me surpreendido, é Studio Ghibli.


Pra quem, como eu, gosta de dicas do tipo "se você gostou desse filme, vai gostar desse", minha indicação é "Educação", o filme é mais maduro, confesso, mas tem o mesmo dilema de escolhas no sentido de estudos/profissão/vida. Dilema este que acho melhor do que o "se correr o bicho pega e se ficar o bicho come" de "Cidade de Deus". (NADA CONTRA AO FERNANDO MEIRELES!!!)

Toy Story 3 (2010)
Eu sei, eu sei, só falo dos mesmos filmes... mas TS3 tem um bom motivo pra estar aqui, afinal, foi feito pra nós, que crescemos com os dois filmes anteriores. Foi feito pra nos mostrar que não devemos ignorar nossos brinquedos, que devemos guardar e quando não dá pra guardar, recordar com muito carinho os momentos que passamos com eles. Foi feito pra nós 

Wall-e (2008)
Deixei esse por último porque foi o motivo de toda essa conversa. Vou citar o que disse pra Gleice hoje:
Wall-e seria um filme que eu daria pros alunos, que nunca terei, e depois jogaria na cara deles que o robô enferrujado tem mais humanidade que eles! Ah, também diria que se eles não pararem de usar tanta tecnologia, vão acabar como os humanos do filme que não olham pro lado pra conversar com o outro.
Após oito horas que essa conversa aconteceu, a infidelidade é aceitável.
Lembro-me que assisti o filme em 2009 ou 2010 (foi na época do cursinho, mas como passei muito tempo nessa 'época', não lembro) e me espantei com a mensagem do filme, sério. Me perturbou assistir a nova sociedade, onde eles ficam flutuando com uma tela na frente da cara, conversando em uma espécie de webcam com a pessoa do lado. DO LADO. 


O fato das pernas deles não suportarem mais o peso do corpo e a dificuldade de locomoção é um problema atual e é mostrado no filme em seu ápice de deteriorização e, pior, aceitamento. Toda a tecnologia e assistência de robôs faz com que os humanos gostem da situação, afinal, é pra onde estamos indo, né? A santa invenção do controle remoto e o delivery são exemplos disso.
Mas o pior do filme não é isso, e sim o fato que o robô enferrujado que exerce o papel de entulhar lixo da Terra (que não é pouco) ter emoção! Ele encontra uma barata (porque dizem que se houver o fim do mundo, a barata será a única que sobreviveria) e meu deus, alguém já viu mais humanidade do que aquela cena? 


Esta cena me lembrou a que Ewan McGregor encontra uma borboleta (ou prima voadora dela) em "A Ilha", filme onde um clone começa a ter sentimentos de compaixão e de revolta (ou algo do tipo, o filme é de 2005, ok?)
Minha mensagem pros fantasmas que leem meu blog não é 'admire a barata', tá? Mas se o Wall-e consegue ter expressão facial sem boca, sobrancelha ou qualquer desses músculos que nos fazem gesticular, você consegue dar um sorriso pro motorista do ônibus ou pra pessoa que tá te atendendo menos na cantina da Letras onde as pessoas são mal-educadas.

Nem deu pra perceber que sou uma fanática por Pixar e Studio Ghibli HAHAHAHA, acho justo fazer um post sobre os outros filmes que merecem minha atenção.
In the meanwhile, 
That's all x

Um comentário: